domingo, outubro 18

:: Um domingo de verdade

Domingo de verdade é aquele em que a gente dorme um tiquinho mais do que devia. Domingo de verdade é aquele em que abre sol e a gente enche os regadores para regar as plantinhas da varanda. Domingo de verdade é aquele em que a gente ouve música alto e bebe cerveja gelada. Domingo de verdade é aquele em que a gente lava roupa e prega quadros novos na parede. Domingo de verdade é aquele em que a gente usa vestido de praia e anda de havaianas. Domingo de verdade é aquele em que a gente dá risada e almoça baião de dois (que perdeu o hífen, céus) no bar do Biu, onde vamos a pé. Domingo de verdade é aquele em que, depois de tudo isso, a gente ouve as mulheres do jazz, grava um disco especial para um amigo especial e nem sofre porque, antes de dormir, vai ter de trabalhar um pouquinho.
:: Pequenas alegrias

Outro dia quando cheguei, ele tinha enfeitado a casa com florzinhas do campo. Margaridinhas brancas, numa caixinha de madeira. Eu suspirei e a vida ficou tão melhor de repente.
:: Cantinho da saudade

Saudade dos mercados de Londres





Saudade das chuvas coloridas



Saudade do frio nas cavalgadas em Mendoza



Saudade do calor e da paz do Bonete

:: Cantinho da saudade

(numa versão para olhar)

Saudade da livraria de Tiradentes



Saudade dos cafés da manhã sob as parreiras de Bento Gonçalves, com cueca virada e suco de uva natural e integral



Saudade das cores e das frutas do Peru




Saudade das lojas de vinil de jazz de Paris



Saudade do meu café predileto de Paris



Saudade dos passeios solitários e do diário nos parques com a melhor trilha sonora

sábado, outubro 17

:: A cozinha de presentes

Comprei tudo o que eu pude pra minha minicozinha. E, sem congestionar, também o que eu não podia. Hoje foi presente, olha. Fui jantar nos sogros. Levamos tomates DOC, vindos diretamente da Itália, docinhos de aguar a boca. Eles acenderam a brasa de lenha do forno de pizza e, pra começar, um pão caseiro de linguiça. Depois, pizza com presunto parma, depois com rodelinhas de tomate, com pesto de azeitona e folhinhas de manjericão do jardim. Uma beleza. Cervejinha, a coca light de sempre. Tom Jobim ao fundo fazendo o que ele sabe de melhor ao piano.

E então, levei bolo do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo e, na hora de ir embora, levamos um bolo de cenoura diferente de tudo que já comi. Qualquer hora escrevo detalhes aqui. Mas, atenção: eu ganhei uma panela de barro capixaba, queimada e defumada em forno a lenha. Não aguento esse tipo de gesto. Coisa linda.

Outro dia, fomos comer lá, naquela casa gostosa com jardim e plantinhas, e acompanhamos o passo a passo da moqueca, com coentro, azeite de dendê e leite de coco. E então ficou essa coisa da panela no ar, porque fiquei morrendo de vontade de imitar a receita, mas não tinha a tal da panela. Eles adoraram e eu, mais ainda. Presente ideal pra ganhar num sábado a noite. Porque amanhã é domingo e, adivinha? Vamos preparar uma deliciosa moqueca, pendurar quadros e quadros, ouvir as mulheres do jazz, porque está uma chuva que convida.

Por agora, de pijama de flanela no sofá, escrevendo, lendo, tomando um chazinho francês, que ela trouxe de Paris já deve fazer um ano e eu economizo, muitíssimo bem acondicionado.
:: Repeat

"Ace In The Hole", na doce voz de Anita O'Day
:: Caderno de anotações

"Eu leria Paulo Coelho se tivesse tempo. Cansei de ser hype, não tenho mais 20 anos."

sexta-feira, outubro 16

:: Planos de um domingo

Eu quero que neste domingo faça sol, mas não muito calor. Devo dormir até um pouco mais tarde porque sábado tem inglês pela manhã, plantão no jornal pela tarde e compromisso familiar no jantar. Céus. No domingo quero acordar em silêncio e ouvir as mulheres de jazz, dependendo do tempo. Talvez, se fizer chuva. Se fizer o sol que eu espero, talvez ouça Chico Buarque pra comer o dia com calma e, passadas algumas horas, devo ouvir Lucas Santtana e Junio Barreto. E então, aos poucos, vou separar alguns ingredientes sobre a pequena bancada da cozinha.

Quero cozinhar alguma coisa especial. Pode ser um prato principal bem simples e caseiro pra dar espaço para a sobremesa. Decidi que, neste exato fim de semana, vou fazer os bolinhos mornos de banana do Carlota darem certo. E o doce de banana há de escorregar lá de dentro do bolinho como acontece com um impecável petit gateau. Na verdade, talvez eu peça pra ele fazer o prato principal. Não quero me estressar.

Quero um domingo de paz e de afazeres que hão de me tranquilizar. Vou juntar todos os livros de comida que não cabem nas prateleiras num canto, de maneira organizada até a bancada da sala ficar pronta. Depois, vou juntar a pasta de documentos para arquivar um por um, como costumo fazer a cada mês que passa.

Devo tirar as roupas daquela parte central do armário para dobrar melhor e deixar com uma cara mais organizada. Vou comprar coca-cola pra tomar enquanto isso. Se tiver sol, talvez eu tome uma das cervejas especiais que costumamos deixar na geladeira.

No final do dia, acho que vou ver um filme bem leve. Já pensou de fosse Julie & Julia? Contando os dias...

quarta-feira, outubro 14

:: Inventando discos

Anita O'Day cantou "Georgia On My Mind", que talvez seja uma das nossas músicas. E foi lindo. Então propus um disco só com as versões de Georgia. Pode ter Django, Maceo Parker, a própria Anita, o incrível Ray Charles, minha musa Billie Holiday, Booker T. & the MG's e assim vai. E então ele propôs o mesmo, com "Canto de Ossanha". Já juntou 12 versões, ele disse.
:: Das manhãs que a gente escolhe

Eu não escolhi levantar cedo, mas, agora, passada a irritação, sinto que foi bom o telefone ter me acordado antes do despertador. Ontem forcei as pálpebras o quanto pude para ler. Acabei, enfim, o "Lady Sings the Blues", da Billie Holiday. Tenho essa mania de enrolar nas últimas páginas de livros que gosto muito, já disse isso uma ou duas vezes nas minhas anotações. Acabou mais triste do que eu imaginava, verdade. Mas é uma tristeza misturada com alegria. Cantar assim, de sentir, não é coisa à-toa. Ela diz muito isso, que canta o que sente. Por isso que sai daquele jeito. No posfácio, Ruy Castro diz que ela morreu de enfarte, heroína e emoções em excesso e quase me fez chorar, de tanto que mistura essa coisa do trágico-lindo. Existe isso?

Hoje, pela manhã, nesta manhã que até tem raios de sol tentando entrar na minicasa que tanto gosto, acordei antes do que eu queria. Mas então, passada a irritação, teve ovinhos caipiras mexidos com pão de linhaça feito na chapa com manteiga aviação. Devo pular o almoço. Nesta manhã, teve o jornal e os discos. Acordei com vontade de ouvir Lady e, enfim, passei os discos dela que trouxe de Londres para o computador e, depois, para o iPod. Se tudo der certo, devo ouvir uma canção ou outra no meio da tarde, na hora da pausa para o chá, se houver. Fiz o mesmo com os quatro discos que trouxe da Anita O'Day, que são lindos, de matar os corações. Enquanto isso, ele está fazendo o mesmo com uma colação do Dave Brubeck, a "Time Was", que trouxe da mesma cidade onde pretendo morar.

E então, depois de todo o ritual, que adoro inventar, está na hora de um banho lento para ir, em seguida, para o jornal e ter um bom dia de trabalho. Estou pronta.

terça-feira, outubro 13

:: Presentinhos do coração

Alguns amigos queridos entenderam, de uns tempos pra cá, que coisinhas de cozinha, comidinhas e afins são bons presentes para a minha pessoa. Claro, nunca devem esquecer dos cremes, das roupas, dos brincos (rá rá). Mas, sabe, dia desses ela voltou da Alemanha com uma latinha linda, com frutinhas desenhadas. Frutinhas vermelhas. E então fiquei tentando descobrir o que diabos deviam ser essas wild preiselbeeren, como dizia a embalagem. Ainda não sei, mas ela deu um palpite e bem que podem ser o que chamamos aqui de mirtilo e nos EUA de blueberry. Será?

O que importa, neste momento, é que minha cabeça disparou, em pleno fechamento, e comecei a ter ideias do que é que posso fazer de gostoso com elas. Primeiro, eu sei, tem de ser um almoço especial. Prefiro cozinhar à luz do dia, na minha minicozinha. Talvez seja porque gosto de ver as diferentes cores de colheres e potinhos que uso no meu mis en place.

Ela disse que a fruta in natura é um pouco ácida. Azedinha, disse mordendo os lábios. Sugeriu uma sobremesa e eu logo pensei em algo que pudesse ir bem com um dos licores que adoro servir depois das refeições nas tacinhas de cristal que papai me deu. Junto ou depois do café Fazenda Pessegueiro que gosto de preparar na minha italianinha.

Acho que vou fazer um creme de mascarpone que a Nina me ensinou outro dia. Complexo: bate o mascarpone com um pouquinho de açúcar e mistura raspinhas de limão-sicliano (que vou colher no pé que tem no jardim da casa do papai). Depois eu conto.
:: Fofurinhas

Ele diz que o Guia perdeu um pouco do colorido sem mim e que está tudo meio sépia.

segunda-feira, outubro 12

:: O sítio e as histórias dos pensamentos

Ele cantarolou “O Abacaxi de Irara” pelo caminho - e foi quase melhor que Tom Zé, verdade. O céu estava azul claro, bem clarinho, sem nuvem alguma, naquela manhã de primavera no sítio. Papai nos levou para passear pelo novo pomar. Chamamos de “novo pomar” a área de árvores frutíferas mais próxima do casarão. Pro lado de lá, estão as árvores mais antigas, as laranjas, as mexiricas, os limões, as mangas. São vários tipos (espécies? variedades?) de cada um deles. Pro lado de cá, estão as árvores que ela plantou pessoalmente. O cambuci, que trouxe da casa da praia, as lichias, os tamarindos, as graviolas, as groselhas. Eu gosto especialmente das árvores de maçã. Acho que é pela delicadeza. São pequeninas, quase frágeis, e têm frutinhos entre o amarelo e o vermelho, que raramente conseguimos comer maduros. Os passarinhos aparecem antes. Quase sempre.

Antes das frutas, papai me levou para o meio do pasto. Me certifiquei de que as vacas e os bois estavam distantes. De um tempo pra cá, dei pra ter certo receio e vacas e bois. Aqui no sítio, tinha uma vaca branca, gorda, que dava filhos e leite sem parar, e corria atrás das pessoas que inventassem de atravessar o pasto. Um dia, me escolheu e, desde então, prefiro ficar longe. Os cavalos não. Os cavalos ainda estão entre meus animais prediletos e andar por aí num desses é coisa terapêutica sem igual.

Enfim, fomos até uma das laterais do pasto. Só eu e papai. Lá, ele me mostrou o Jequitibá, com tronco já forte e folhinhas em vários tons de verde. Foi o vovô que me deu essa muda, lembra? Quando ele diz vovô, está falando do pai da minha mãe. O pai dele a gente nunca chamou de vovô porque morreu quando meu pai tinha 13 anos e eu nem conheci. Não deu tempo de virar vô. Mas, papai sabe, escolhi o jornalismo muito por conta dele. O pai do papai faz parte da história do rádio e da televisão. Começou nos primórdios da TV Tupi, lááá atrás. E eu soube de tudo, desde pequena. Minha vozinha, que devo visitar daqui três ou quatro horas numa cidadezinha vizinha, onde ela escolheu morar depois de São Paulo, tem uma pasta enorme e plastificada, com todos os recortes de jornal de artigos e matérias e afins que falavam do meu vô. Sempre acompanhei tudo. Ela alternava entre os três filhos, o piano clássico e as novelas do rádio - e eu adoro as histórias. O meu avô pai do meu pai morreu no auge do casamento com a minha vozinha. Eu digo, até hoje, que foi a história mais linda de amor sobre a qual já ouvi falar. E, sabe, às vezes sinto mesmo que tem a ver com a morte precoce. É tão, tão triste que chega a ter uma beleza difícil de explicar.

Mas, enfim, estávamos falando do vovô, pai da minha mãe. Papai mostrou os troncos da árvore e me contou a história. Lembra quando o vovô foi lá em casa e levou aquelas camisetas, que ele mesmo mandou fazer, com a foto de um enorme Jequitibá, dizendo “Salvem os Jequitibás”? Ele levou junto algumas sementes, num saquinho, e eu plantei aqui. Isso deve fazer uns dez anos, contou. Disfarcei, mas tive vontade de chorar, no fundo. Meu vô me faz uma falta estranha ainda hoje. Desde que morreu, daquela forma que a família escolheu pra ele, em sua casa, repousando na cama, com calma, família reunida, eu sinto falta dele. Sinto falta das nossas conversas sobre viagens e literatura. Das conversas sobre música e artes plásticas. Ele viveu a tempo de saber, pelo menos, que quem me ensinou essa paixão pelos livros, pelos discos e pelas artes foi ele.

No subsolo de sua casa, tinha uma porta de vidro enorme, que corria de um lado pro outro, com vista pra um lindo jardim, que ele cuidava pessoalmente. A gente tinha costume de ficar por ali, quando eu ia visitá-lo. Ali que ficavam seus livros e arte, a obra completa de Fernando Pessoa, que eu espalhava no tapete e lia, desde pequena, e achava lindo. Ali estavam os vinis, os cds, as fitas K-7. Ele catalogava um por um. Sempre que comprava um disco, ou gravava uma fita (e ele gravava várias, regularmente), ele escrevia num selinho branco pequeno quantos minutos tinha cada faixa e colova na caixinha. Depois, naquelas cartelas da catálogo, registrava todos os dados e guardava numa espécie de arquivo. Depois morreu.

Durante os meses de sua doença, quando já não falava mais, íamos muito visitá-lo e jantávamos em família, numa mesa enorme, com todos os lugares ocupados, como se ele e a vovó, que já tinha nos deixado uns anos antes, estivessem ali. Ouvíamos música e contávamos sobre o dia, sobre o trabalho. Vovô me estimulou desde o início com o jornalismo. Eu escrevia uma notinha de sete ou dez linhas, ele impria e guardava - e mostrava para os tios e primos quando apareciam por lá. Um dia, me deu um mapa mundial enorme e disse pra eu pendurar no quarto. Filha (me chamava assim, de “filha”), você é jornalista e precisa saber o mapa inteiro. E foi assim que comecei a aprender direito essa coisa da localização dos países e das pequenas cidades.

Mas então, quando vovô já estava muito doente, eu descia no escritório dele, e ficava abrindo e fechando as gavetas de discos e fitas e folheava todos os livros que podia. Vez ou outra, caía uma lágrima e eu tentava disfarçar. Nem sempre conseguia - porque, quando caíam três lágrimas, eu não controlava mais. E então costumava subir e sentar no colo da mamãe. Até chorava alto e ficava sem ar, de tanto que doía ver vovô doente. Hoje, no passeio pelo pasto para ver de perto o Jequitibá do vovô, senti um aperto que não sei bem explicar, mas é como se ele estivesse por perto. E ele deve mesmo estar.
:: Casa no Campo

Aqui tem ovo caipira mexido no café da manhã. Para beber, ela foi ao pomar colher limão-siciliano para fazer uma limonada suíça fresca, batida com cubinhos de gelo. Aqui a gente ouve Elis Regina e, às vezes, João Gilberto. Outra hora, ali na piscina, o garotinho de cinco anos fez ele ir até o jardim de flores para que colhesse flores para mim, margaridinhas lindas. Depois, disse que eu podia entrar na piscina sim porque aquela coisa de lodo e algas fazia bem para a pele, já pensou?

quarta-feira, setembro 30

:: Preocupações idiotas (e divertidas)

As mulheres se preocupam com coisas bestas, mas, sabe, acabam se divertindo também. Hoje ela contou, toda orgulhosa, que ele até levou o terno na lavanderia para o casamento que temos no sábado. Depois respirou - e quase riu. "É, mas ele não tem meia pra usar com o sapato social e pensou em colocar a meia branca que usa para correr, pode?"
:: Pequenas alegrias



Hoje, quando cheguei pela manhã na Redação, encontrei lindas frésias amarelas sobre a minha mesa, num buquê que intercalava um ou outro verdinho, pra dar charme. E não era de assessor de imprensa. Acho que tem a ver com agradecimentos, celebrações e uma espécie de despedida. Até dói um pouquinho.

terça-feira, setembro 29

:: Caderno de anotações

Não sei se escrevo sobre as partes que mais gostei da autobiografia da Billie Holiday, como as cenas dela pequena, ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith na vitrola no tal do puteiro, ou da saudade que estou de passar horas na livraria, tomando chá de cidreira. Um espresso curto, talvez. Não sei se escrevo sobre as unhas vermelhas no meio da tarde de chuva ou do sol do domingo e dos pequenos encontros. Talvez sobre os últimos restaurantes que visitei ou, quem sabe, os últimos pratos que preparei na Le Creuset vermelha. Na verdade, acho que faltou registro de algumas refeições inesquecíveis. Faltou falar dos gafanhotos caramelizados que Mari Hirata preparou dia desses, faltou falar dos saquês do Kinoshita e suas invenções de fazer não esquecer, faltou falar de um jantar de um tempão atrás que teve escalope de foie gras com sorbet de pêssego e limão-siciliano mais compota de pêssego e gengibre, harmonizado com um vinho de sobremesa que não me lembro o nome. De repente eu devia falar das amizades demorei anos pra construir ou então dos e-mails e mais e-mails que ainda não respondi - e andam enchendo minha caixa de entrada. Tem ainda as cartas de amor e os próximos livros que devo ler quando acabar "Lady Sings the Blues", que ando arrastando as últimas páginas bem lentamente pra não acabar de repente. Tem mesmo essa coisa do apego aos livros, acho. Talvez não devesse chamar de apego, estou aprendendo. Hoje fui na casa dela e até preparamos arroz. Jantamos em bandejas vermelhas e largas no sofá da sala, no meio de um monte de almofadas de todas as estampas que se possa imaginar. E então ela disse pra eu fuçar os livros do lado direito da estante amarela, mas antes peguei Eduardo Galeano pra folhear. "O Livro dos Abraços" é leitura básica de cabeceira. Decidi, pouco depois, que mais dia menos dia devo passar na Livraria da Vila sozinha pra comprar "A Invenção de Morel", do argentino Adolfo Bioy Casares. Antes, vou ler mais Billie Holiday para dormir com as histórias do jazz.

sexta-feira, setembro 25

:: Pequenas alegrias

"Amante Amado" na voz do Caetano é de chorar de lindo.

quinta-feira, setembro 24

:: Exercício de respiração

No meio de uma tarde de chuva, ele me manda pequenos agrados pro coração. Hoje foi Baden Powel e seu “Sorongaio”. Fazia um dia ou mais que ele queria mandar uma dessas pílulas pro ouvido no meio de uma tarde. Acho que esperou a chuva, ou a música certa. Tem sido assim. Ele sabe que as histórias musicais são as mais fortes na minha pequena vida. Entende porque é como se sentisse quase igual. E então transmite esses espasmos de alegria para dividir. Tem sido assim. Descobri agora há pouco que sorongo é uma dança negra de origem africana - certamente ele sabia. Eu devia ter feito parágrafo, mas, sabe, quando escrevo pra ele, não tem parágrafo. Nem deveria ter ponto. Não entendo bem por que é que “Sorongaio” quase me fez chorar. Ele me ensinou outro dia que o choro vem quando a gente transborda. Quando contei isso a ela, em seguida ela escreveu numa carta de amor que o choro encontra a saída que as palavras não conseguiram achar. E eu achei lindo. Tem sido assim. Uma coisa de transbordar. E aí faço “Sorongaio” repetir até cansar. Mas não cansa. Toca o fundo da gente, faz tremer a ponta dos dedos, remexe lá dentro, arrepia as superfícies, faz fechar os olhos úmidos e volta ao zero. E recomeça. Ele diz isso também. Algo sobre as pequenas mortes e sobre os recomeços. E eu ouvia com dor. Hoje ouço até quase compreender. Tento compreender até sentir. E acho até que consigo sentir. Tem sido assim. Pequenos aprendizados para não desorganizar. “Pequenos” só pra disfarçar a grande desorganização que é o aprender. É mais, até. É como se fosse um exercício de autoconhecimento. Coisa que vira a gente de cabeça pra baixo até a gente entrar dentro da gente tudo de novo pra se conhecer. Até dói. E Baden Powel repete outra vez seu “Sorongaio”. Os olhos quase fecham e uma imagem desconhecida de pés negros e descalços batendo num chão de terra vermelha e a poeira e o ritmo e a sincronia. Talvez seja um pouco resquício da Pina Bausch que assisti numa segunda ou terça à noite, dia desses. Stravisnky e sua “Sagração da Primavera”, diz o jornal da cidade grande, “é como um rito de passagem”. E então fico tentando entender por que será que as coisas às vezes se encaixam - mesmo num emaranhado todo confuso, conflituoso e obscuro, elas, simplesmente, se encaixam.

quarta-feira, setembro 23

:: Da gaveta

Quando tudo começou, ele tinha mesmo me alertado: o twitter é o blog dos preguiçosos e o blip, o podcast.
:: Moleskine

"Ela não tinha dinheiro para comer fora, então comia na varanda"

terça-feira, setembro 22

:: Pílulas de felicidade

Às vezes ele inventa de mandar musiquinhas no meio da tarde. Outro dia foi "Vibraphonissimo", com Astor Piazzola e Gary Burton, que resolvi ouvir hoje uma, duas, três vezes - ou mais - enquanto sinto alguma coisa estranha.
:: O gelinho dos olhos

Muito trabalho aqui em volta. Agenda aberta sobre a mesa, com anotações por todos os lados. Alguns post its até. Os e-mails espalhados na tela do computador. Uma garrafa d’água que eu insisto em encher esvaziar encher esvaziar. E ela me mandou Julie Delpy cantando baixinho “A Walts for a Night” - e, ela sabe, essas coisas são proibidas em dias de chuva. Antes, me fez cantar um pedacinho no táxi, e, tá, eu cantarolei. Talvez a gente chorasse. Pelos mesmos motivos e por outros tantos. No fundo, acho que a gente gosta de chorar.

***

Quando eu era pequena, vez ou outra eu pulava na cama da minha mãe com a minha irmã e tínhamos todos os tipos de conversa. Um dia ficamos sentadas ali por horas, de perninhas cruzadas como os índios. E então mamãe perguntou de onde será que vinha o choro da gente. No meio das ideias mais férteis, descobrimos: o choro vem de um gelinho que fica dentro da gente, lá no coração, que derrete quando a gente fica triste e sai pelos olhos.

***

Depois de anos, digo que “estou criando casca e me desapegando das coisas”. Ela mexe a cabeça e faz que entende mas ainda é a eterna apaixonada pelas coisas. Finjo que discordo, mas ela devia imaginar... essa é uma das coisas que mais admiro nela. A paixão pelas coisas.

***

Muito trabalho aqui em volta, mas ando meio desconcentrada, confesso. A gente podia passar o dia falando sobre receitas de ovos ou combinando os detalhes de uma viagem pro sítio para visitar a plantação de café e preparar salada com as verduras fresquinhas e brilhantes da horta. Acho que ainda não contei, mas lá tem latinhas de azeite enfeitando a parede de tijolinhos e acho que ela vai gostar.

***

Ainda não sei bem. A agenda aberta, os e-mails não-lidos, os textos por fazer. E eu aqui, rabiscando essas palavras pra dizer que não sei bem como vai ser. Talvez ela lembre: eu não gosto muito de sentir saudades.

sexta-feira, setembro 18

:: Para uma pausa mental

Hoje eu dei um pulo lá no Em Busca do Phino e achei esse vídeo incrível. Olha:

:: Paladar difícil

"Paladar difícil" era o assunto do e-mail que ela me mandou hoje pela manhã. Num dia desses, foi ele quem me mandou e-mail falando do aniversário e disse que queria comemorar comigo, com ela e com meu namo e só. Perguntou se eu tinha o sábado livre no jantar. Sim, disse. Não tinha, mas mudei as coisas pra ajeitar assim. Afinal, dobradinha de amizade e aniversário faz a gente mudar a programação.

Ele queria que eu escolhesse o lugar. Mas o que você está com vontade de comer?

"Fique à vontade pra escolher um lugar. Confesso que eu gostaria que NÃO fosse japonês, italiano ou francês. O resto, qualquer cozinha mesmo, tá valendo."

S-i-m-p-l-e-s, pensei. Ele NÃO quer (com caixa alta) nenhum ja-po-nês, i-ta-li-a-no e fran-cês. Respirei e tive uma ideia. O principal, pra mim, era sair do eixo.
Aí armei tudo e eles precisam estar na minha casa às 18h30 em ponto pra gente sair. Não contei nem onde nem o quê nem como. Mas está tudo combinado com a minha amiga querida, mulher dele. Mas é surpresa, hein? Vamos fazer tudo sem dizer detalhes.

Hoje, tinha e-mail dela:

"Vê se a gente pode com isso: ontem à noite, contei para ele que a gente já organizou a baladinha no sábado e que temos de estar na sua casa às 18h30. Daí ele falou assim: "mas não é no árabe, né? Pq eu disse para a Lu que não quero japonês, nem francês nem italiano e esqueci de dizer o árabe."

Rá rá
:: Pequenas alegrias

Num dia, ele me esperou até depois da meia-noite, com velinhas coloridas sobre a mesa posta. No fogão, o jantar preparado por ele mesmo, para não esfriar.

No outro, chegou carregando uma rosa, "uma rosa de jardim".

quinta-feira, setembro 17

:: Com Ruy Castro

Ontem teve palestra do Ruy Castro no jornal. Dá um pouco de vontade de entrar dentro da vida dele pra ser carregada de um lado pro outro.

"O biógrafo tem de se meter em encrenca. Tem de correr da polícia, dos maridos, das mulheres"

"O bipografo tem de ser um idiota da objetividade"
:: Licença

Sai todo mundo. Quero tomar meu chá francês na xícara que eu mais gosto, que comprei num brechó - tem flores e friso dourado, bem de avó. Quero tomar chá e acabar meu livro da Billie Holiday no sofá, de meia, camisola e manta.

quarta-feira, setembro 16

:: Histórias musicais

Quando fui morar uns meses em NY, poucas semanas antes de voltar pro Brasil, completamente falida, deu ataque de querer comprar presente pra todo mundo. Os mais difíceis, engraçado, foram os presentes do papai e da mamãe. E errei nos dois (n-o-s-d-o-i-s).

Pra mamãe eu trouxe um iPod shuffle, que ela ouviu uma ou duas vezes e aposentou. Fiquei triste de ter errado a mão, porque adoro presentear. Mas, claro, quem me conhece sabe que no fundo, no fundo, fiquei feliz. Ou fiquei triste no fundo e feliz na superfície, não sei bem.

Desde lá, o iPod foi morar na minha casa e eu adoro. Toda semana, mudo os discos e tenho conhecido bem melhor vários artistas. Enquanto eu aumento o peso do aparelho para o tal do "tchauzinho (pesadelo) das mulheres" aumento o Kamau, por exemplo, até esquecer o esforço e decorar a letra.

E faz uns dias que não tenho parado de ouvir o disco novo do Lucas Santtana (e volto sempre "Cira, Regina e Nana" pra tentar cantarolar junto. Mas o que eu quero mesmo decorar, de cabo a rabo, é "Evolução Na Locução", do Kamau. Não parece, as pessoas me acham muito angelical pra gostar tanto de rap e hip hop, mas eu gosto (sim) e tenho fixação por decorar, um dia na vida, uma letra inteira de um rap - e até agora na-da. Anos ouvindo Sabotage, Racionai's, Gog e na-da.

E aí também tem o disco amado do Junio Barreto, que conheci num boteco lá em Olinda, quando fiz o Guia Nordeste da Bei, e tenho todo um carinho especial. Pelo disco, pela história envolvida, pelo tal do boteco.

Mais que isso e aquilo, tem o disco que o Medeski Martin & Wood gravou para as crianças, que eu gosto cada dia mais, "Let's Go Evereywhere". Quando começa "The Squalb" de repente (aqui no meu iPod as músicas começam mesmo de repente), eu tento cantar junto. Eu tento falar junto, na verdade. É uma mensagem muito bonitica falada (recitada? cantada? óh, céus!) pelo ator John Lurie, que faz a gente ficar com muita (muita) vontade de ter um squalb.

E agora?

terça-feira, setembro 15

:: Carderno de anotações

Na matéria que a Jana fez na Ilustrada de hoje sobre o novo livro da sensual Nigella Lawson tem uma parte da entrevista que achei especialmente boa pra registrar. Ela diz que acredita num ditado francês assim:

"Tudo com moderação, até mesmo a moderação"
:: Dia a dia

Então todo santo dia eu vou lá no computador dela e coloco o dedo da tela. Poxa, agora ela tem uma tela gigante, branca, plana, deusa e eu vou lá e ponho o dedo mesmo. Quem resiste? Aí hoje, aconteceu como todos os dias. Eu fui lá e... dedão na tela pra apontar a parte do texto que ela podia cortar, se a foto ficasse muito escondida. Concordamos pela primeira vez: foto grande, texto pequeno.

E aí foi a vez dela apontar. Dessa vez pro post it que colou no canto da tela. Bem assim:


:: Registros inúteis

Outro dia ela foi na padaria Pão de Ló, que mudou de endereço, pra uma casa ali nas vizinhanças onde funcionava antes, perto da Casper, e ficou linda. Ela ainda não entendeu que não deve ir na padaria j-a-m-a-i-s depois de d-u-a-s-h-o-r-a-s de acadimia.

Contou que queria comer um pão francês com bastante manteiga, bem gordinho, "mas aí resolvi dar uma de saudável e pedi um prato de frutas milionário". A conversa com o garçom foi assim:

- Será que vai demorar muito?
- Demora, viu. Não vou mentir não. É que eles fatiam tudo muito milimetricamente.
:: No telefone

- Eu não aguento mais um cara que me liga toda hora, e é engano. Ele quer falar com um "seu Manoel". Você acha que eu posso xingar ele dá próxima vez?

- Não, Má. Ele deve ter se apaixonado pela sua voz. Se você xingar, aí é que não vai ter volta.

- Mas ele ligou agora e olha a conversa:

- Alô.
- Quem é?
- Quem é você.
- Mas eu que liguei primeiro!
- Mas o telefone é meu.
:: Pílulas de felicidade

Ela tem essa mania adorável de aparecer de repente, sem mais nem menos, com pílulas de felicidade. No fim de semana foi assim, escreveu de NY, no sábado à noite, ou à tarde, não me lembro, com uma musiquinha para "ouvir no domingo". E então "Elevator is Temporary", de Lilys, deixou o dia ainda mais encantado. Pra lá do jornal na piscina, das conversas ao pé do ouvido, dos bumbuns colados na pequena cozinha (enquanto ele picava cebola e alho milimetricamente, eu abria a lata de tomates pelados, na bancada oposta), pra além dos brindes que sempre fazemos à mesa, e do banho lento que eu tanto gosto. O domingo ficou ainda mais encantador. Ela deve imaginar. Acho.

domingo, setembro 13

:: Dos segredos

Ele não sabe, mas eu posso fazer uma, duas, três piadinhas. Contei pro meu pai que ele me faz crescer como pessoa. E é por isso que às vezes eu fico tão cansada.

quinta-feira, setembro 10

:: Na reunião de pauta

- E é bonitinho por fora?
- Olha... é bonitinho por dentro...
:: Atrás do pensamento

Quando a gente tenta traduzir alguma coisa que está pra além da nossa capacidade, é mais ou menos assim, a gente recorre a quem sabe usar as palavras para traduzir os sentimentos...


Para além da curva da estrada
Alberto Caeiro

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

quarta-feira, setembro 9

:: Roubado

daqui!

Rolei de rir. Olha TAMÉM!
:: Registros inúteis

Ela pede suco de laranja e abacaxi (!) e um copo de gelo separado. "É para fazer render o suco, Lu."

***

Está arrasado porque a tartaruga dele morreu por esses dias.
:: Perguntas impertinentes

"Mas você tira o sapato na análise?"
:: Combo

Picadinho, arroz-e-feijão-preto, farofa levemente apimentada, banana em rodelas + Dave Brubeck na trilha sonora (e não fui eu que escolhi) + livro da Billie Holiday e detalhes de sua amizade com Orson Wells. Tudo isso, sozinha, no café dos sonhos. Pra acabar, expresso Orfeu curto - extraído à perfeição e, pra arrematar, cappuccino pequeno, com leite vaporizado brilhante e cremoso.
:: Luxo e glamour

É assim, né bem, a gente gosta de muito luxo e glamour. Sem-pre. Por isso cantamos em co(u)ro:

terça-feira, setembro 8

:: Agradinhos

Ela traz macadâmias para comer nas tardes chuvosas. Antes, no almoço, coloca uma azeitona preta fatiada sobre os tomatinhos picados que eu trouxe de casa, para incrementar a minha salada e deixar as coisas um pouco melhores do que na vida real.
:: Pequenas alegrias

Outro dia eu tomei o suco de limão do Rocket's, que faz tanto sucesso. Confirmei. É batido com pedrinhas de gelo e fica mesmo incrível. Entre um gole e outro, brinquei de escolher músicas na pequena jukebox. Ouvi Peggy Lee, Ray Charles e afins enquanto anotava uma coisa ou outra na agenda e organizava algumas notas fiscais.

segunda-feira, setembro 7

:: Registros para lembrar

Domingo acabou. E então ouço Billie Holiday para registrar os momentos do dia. Para depois lembrar. É um pouco aflitiva essa coisa das coincidências. Antes do banho, após o dia longo, disse que queria ouvir jazz. E ele veio perguntar "de quem é mesmo esse disco 'Strange Fruit'?". E eu não soube responder. Sou ruim de nomes, ele sabe.

Strange Fruit é um poema sobre uma foto de um negro enforcado, pendurado numa árvore, ele disse. Poucos minutos depois, virei a página do livro, que tenho lido lentamente porque estou envolvida até a ponta dos pés. A autobiografia da Billie Holiday me deixa cada dia mais apaixonada por ela. E então, na página 87, ela conta sobre "Strange Fruit". E eu até me arrepiei toda. Era seu "protesto pessoal" e ela sempre passava mal depois de cantar e ia para o banheiro. "Me afeta tanto que fico enjoada. Tira todas as minhas forças", diz.

***

E enfim, tomei meu banho. Um banho lento e quente, ouvindo seu canto rouco no fundo e repensando nos detalhes do dia. Estou exausta. Queria limpar cada milímetro das mãos, principalmente. Das mãos que ficaram o dia todo mergulhadas no detergente, nas panelas. Das mãos que cansaram de mexer as colheres de pau, de cortar em micropedacinhos o manjericão e salsinha.

***

Tenho mania de guardar cosméticos especiais para dias especiais. E foi mais ou menos assim. Outro dia ela voltou de viagem e me trouxe um delicioso óleo de banho da República Tcheca, feito de... cerveja. E eu gosto tanto dessas coisas que economizo. Até estragar. Foi assim quando ela voltou de NY, há anos, e me trouxe um kit de frescurinhas para os pés. Achei aquilo tão incrível e meus pés ficavam tão macios que economizei loucamente. Até estragar. Pensei que tivesse aprendido depois de economizar minhas canetinhas quando eu era pequena - e elas secaram. Se-ca-ram. Mas não. Por isso que ainda não sei bem se vou ou não usar o tal do óleo de cerveja o quanto devo. Espero ter mais momentos especiais.

***

Hoje levantei pela manhã e nem acreditei. Chuva lá fora - e até o barulhinho da água caindo nas árvores que ficam aqui atrás da janela do meu quarto - e eu levantei sonada, ainda assim. Era dia de almoço na minicasa. Todos os ingredientes estavam orgaizados na geladeria e nos armários. Ontem fomos ao supermercado e à quitanda, para frutas e verduras e temperos à altura dos convidados. Ela vinha por volta das duas, mas, no final, não veio. Ficou com preguiça da chuva. Por isso que uma convidada virou três convidados e tivemos de dobrar as receitas.

E então ele colocou "Temporada de Verão" enquanto eu estava na cozinha. Ele sabe que me acalma e eu estava meio tensa com essa coisa de dobrar as receitas assim, de repente.

***

Depois, brindamos os momentos.

terça-feira, setembro 1

:: Registros inúteis

Hoje peguei um táxi todo cagado: fazia barulhos de todas as espécies. E o motorista disse, assim, que o carro dele pegou a tal da gripe suína.

segunda-feira, agosto 31

:: Fofurinhas

Outro dia, um amigo disse que queria uma floricultura só para entregar flores e ver a reação das pessoas.

quinta-feira, agosto 27

:: O jeito pollyana de ser

Neste fim de semana, ela deve se mudar pra casa dele. E foi mais ou menos assim:

"Ainda bem que o apartamento não tem armário, assim eu não acumulo coisas"

quarta-feira, agosto 26

:: Tá, é trabalho

É. Recebi um release outro dia de pirulitos de parmesão.
:: Registros inúteis

No telefone:

- Obrigada!
- Outro!

***

Quem vai arrumado ao cartório é muito cafona.
:: Palavrinhas adocicadas

- Você gosta de acordar comigo?
- Não.

(silêncio)

- Eu prefiro dormir com você.

terça-feira, agosto 25

:: Carta aberta

Florzinha,

faz tempo que estou te devendo um obrigada como você merece, eu sei. O jantar que você preparou com as suas próprias mãos me marcou de um jeito que fiquei travada para escrever. Acontece, às vezes, quando aparece uma coisa muito boa. Ou muito ruim. E a comida tem dessas coisas de mexer com os sentimentos, você sabe.

Confesso que fiquei impressionada com a casa, com a rua sem saída, cheia de árvores, com o caminho detalhado à perfeição. Depois, o labrador abanando o rabo no portão e eu um pouco tensa porque estava com meu vestido predileto. A moça que trabalha na sua casa gritava pela sua mãe enquanto eu esperava na porta. Sua mãe, esbelta, bem vestida e querida. Muito querida. Eu devia imaginar.

Teve a coisa do meu tio também, não nego. Essa coisa dos projetos dele terem sempre um tipo de calor que eu não sei bem explicar. Mas é como se a gente tivesse ligada, de alguma forma até familiar, naquele espaço. Depois, os irmãos gêmeos, a irmã mais nova, as histórias do quase ex-namorado. Eu estava com saudades, sabia?

E então você me convidou para conhecer a cozinha e eu pensei "ufa ufa" que vou conhecer a cozinha de vidrotil preto. E foi bem como eu imaginava, mas sem as lindas panelas Le Creuset sobre as bocas do fogão. Sem a vista para a cidade, dos janelões. Sem o perfume da comida. Sem a hortinha no parapeito. Que linda aquela hortinha.

Os sofás confortáveis, os arranjos de orquídeas espalhados por toda a casa. E eu adoro flores. A que você me deu de aniversário ainda está no meu vaso mais bonito, bem no centro da sala. Uma salinha tão pequena que faz ressaltar ainda mais o bambu da sorte (ou é bambu imperial? eu costumo te perguntar).

Você teve de explicar a receita com detalhes pra eu acreditar que aqueles canapés todos você tinha preparado sozinha. E eu anotei cada um deles. E acreditei. Seu pai serviu um Gran Coronas tinto, espanhol, em taça de cristal, e eu bebi um gole ou outro porque ia dirigir depois. Você vem da cozinha com lindos suportes de canapés com esculturinhas de comer. E aí a comida é bonita. E a comida é gostosa. E eu adoro esse pacote que mistura os melhores sabores com um visual de botar reparo.

Primeiro, canapés de abobrinha com queijo de cabra e baby rúcula. Tem de grelhar na chapa bem quente as fatias fininhas de abobrinha, você ensinou. Se puder, use queijo holandês, que é mais firme, e fatie com descascador de legumes, sabe? Sei, mocinha. Sei. Para amarrar assim, use salsinhas depois de branqueadas. Esse processo chama branquear, água quente e depois água fria. Seca e amarra os rolinhos de abobrinha recheada.

Desacreditei.

E então as peras com presunto cru e mais baby rúcula. Depois as bruscchettas com brie e mel de trufas. Tá vendo aqui? É o mel de trufas, dá pra fazer só com mel, mas esse, com trufas, deixa mais gostoso. Deixa mesmo. Eu sei. E ufa que tenho o tal do mel de trufas em casa para imitar sem gastar mais.

Seu pai cuidou do prato principal, o penne com molho de tomate e pancetta picante, que estava mesmo incrível. E é coisa pra homem, parece. Eu não ia reconhecer a sua delicadeza ali.

Eu já não aguentava mais comer, verdade. E não gosto muito dessa sensação de estar estufada (e meu pai me ensinou "satisfeita"), à noite. Mas não resisti. E depois de me prometer pular a sobremesa você surge com aqueles figos recém-saídos da frigideira, servidos com mascarpone ("batido com açúcar e raspas de limão-siciliano, Lu"), regado delicadamente com uma redução de balsâmico com mel. E eu nem te agradeci como fiquei com vontade de agradecer. Mas está aqui. E, o que quero dizer, é que não vou esquecer. E gosto de cada detalhe. Mais ou menos como você faz na cozinha. Não esquece nenhum detalhe. Nenhum.
:: Registros inúteis

- Mexe um pouco no meu cabelo? Eu passei produto importado.

(silêncio)

- Made in China, hein bem?
:: Registros inúteis

- E você aí com essa luva de mano?!
- Não é luva de mano. É luva de mendigo de Londres!

sexta-feira, agosto 21

:: Por e-mail

Ela me chama de Zi, desde pequena. De Ziza, às vezes. E ontem chegou e-mail que me desmanchou e eu nem sei explicar.

"Zi, estou com saudade. Pensei em mil coisas pra escrever mas, no fundo, tudo se resume a isso: uma grande e gorda saudade."
:: Carta aberta

Querido,

Confesso que me deu certo nervoso estar atrasada para o trabalho. Mais do que eu imaginava, porque tinha o trânsito das quintas-feiras de chuva que eu inventei de desconsiderar. Acho que foi aquela mistura de jazz com carinho e comidinha da alma. Eu chamo de comidinha da alma, você sabe. Aquela que preenche a gente até não faltar mais nada. Foi assim.

O pãozinho de entrada, que você deixou sobre a mesa de centro da sala para nos receber, esquentou desde o início. Estava frio, né? E aquele vento na janela com vista para as árvores de Higienópolis quase cantava. Lembra? Eu fiquei na dúvida do que tinha naquela pasta que a gente lambuzava o pão. No fundo, não sou muito boa pra descobrir ingredientes e isso até me entristece, vez ou outra. Mas ontem não. Ontem, depois que você contou o que era, eu pensei, nunca saberia descrever. O missô artesanal que trouxe lá da Liberdade com exclusividade, a salsinha picadinha até desaparecer, o bom azeite. Uma alegria.

Você sabe. Todo mundo que chegava comentava que o perfume da comida estava invadindo a área do elevador. Era quase como se estivesse nos convidando a entrar. E estava. Essa coisa de cheiro, sabe, pode perturbar os vizinhos, já pensou? Os vizinhos que colocam seus miojos na panela por três minutos e abrem aqueles saquinhos de tempero industrializado.

Ali na sua panela de pressão, que ele disse, cantava e não apitava ou qualquer outra coisa - e eu achei poético -, tinha um arroz integral. E depois vieram os detalhes do prato, enquanto você ficava na ponta dos pés, para alcançar o livro do Kikuchi na estante da sala para me mostrar aquele monte de coisa que ele escreve sobre a cura de tudo quanto é doença pela comida. Gostei daquela parte do furúnculo na face. Furúnculo na face, ele diz. E resolve com nirá, parece.

A receita, foi dele. Lá do Satori da Liberdade, onde você vai vez ou outra - e precisamos ir todos juntos um dia, não? Kikuchi ensinou e você fez maravilhosamente bem para os amigos aquele risoto de arroz integral, que fica por mais de 40 minutos no fogo baixo na panela de pressão, antes de acrescentar os cogumelos, que tanto gosto. Uma delícia. Não sei se vou arriscar por dois motivos: não tenho panela de pressão e até a menor boca do meu fogão faz um fogo mais alto do que o esperado, mesmo quando está no mínimo (ele disse que vai ver aqui a saída do gás, ele tem disso, sabe consertar as coisas e eu adoro).

Junto, aquela carne que desmanchou na boca, com cenoura e pimenta-biquinho. Já pensou na cor daquele prato? O marrom, o vermelho que chegava a brilhar, o laranja. Uma coisa. Na cozinha, improvisamos o lixo. Ele disse que sempre foi assim, improvisado. Tomei mais um copo d'água e voltei para o sofá e as conversinhas e o jazz. Um privilégio.

E você reaparece, quando o relógio já começa a me fazer me sentir mal (está certo isso? "me fazer me sentir mal"?), carregando aquela travessa com maçãs perfumadas e o regime, o relógio. Ai. E a descrição quase cruel: o bolo de tapioca (de saquinho e você até fez graça), a maçã da tarte tatin. E o relógio e o regime e todo mundo no segundo prato. Mas eu me levantei. E, pouco depois, o trânsito e o relógio e o trabalho e o trânsito.

Ainda assim, coloquei um disco de jazz com os antigos, com Bessie, com Django, com Louis e tentei esquecer. Porque, ali, naquele momento, eu só tinha que agradecer você por aquele almoço. E pelo carinho. Obrigada.
:: Falas soltas

Fomos nós três ao Pasquale para jantar e falar da vida e abraçar e rir e matar um pouco das saudades. Lá pelas tantas, o garçom chegou perto e eu comecei assim:

- Uma Pepsi light, por favor? (habitué do Pasquale, feliz da vida com a ausência total de cigarro, confesso, já sabia que lá é Pepsi)

- Uma Coca, por favor?

- Só tem Pepsi, pode ser?

- Pode.

E a terceira, em cima:

- Ah! Também quero uma Coca.

quarta-feira, agosto 19

:: Tudo junto

De um lado da mesa, ovo caipira mexido e quentinho, para garfadas entre um parágrafo e outro da autobiografia de Billie Holiday, que me deixa cada dia mais impressionada. Numa passagem, ela fala sobre a música de Pablo Casals e eu quase não acredito. Enquanto isso, Peggy Lee canta "Summertime" numa versão que entra dentro da gente e parece mentira. Logo depois, último gole de Coca Light com gelo (pensando num licor de chocolate). Escova de dente. Vida real.

terça-feira, agosto 18

:: Em busca do phino

E então eu comecei a colaborar pro Em Busca do Phino. Aviso: eu encarno uma personagem. Uma personagem igualzinha a mim. Rá rá.

Hoje tem post novo. Mas eu prefiro o primeiro, de estreia.

Lá tem textos como esse do Rafa, que é um dos meus prediletos e começa assim:

"Era sexta-feira e minha amiga La-Pan, chinesa, estava arrasada em Berlim. Eu tentava consolá-la, mas não havia jeito. Ela estava muito triste por ter sido mal tratada por uma senhora alemã, para quem havia pedido uma informação. Furiosa, me contava ela, começou a xingar a velha no meio da rua: “Fuck me, fuck me!” Então que a rua toda começou a rir da cara da pobre orientalzinha.

Tadinha, trocou o “you” pelo “me” e deu naquilo. Eu, na verdade, estava chateado com a situação porque ninguém tentou comer a chinesinha. Se por acaso um dia eu saísse na rua e começasse a gritar “fuck me” e ninguém viesse tirar uma casquinha do meu corpo, seria a MÓÓÓRRRRTE. Principalmente se fosse em Berlim, a cidade dos fetiches."
:: As grafias

Hoje eu recebi um e-mail de uma "lazanha de beringela".
:: Registros inúteis

Eu li a Ilustrada e passei pra ela, no carro e foi assim:

- Ai, graçasadeus, porque eu não sei nem manusear um caderno (de) Dinheiro.

domingo, agosto 16

:: Pequenas alegrias

1.

Fazer comida de mãe, franguinho grelhadado com creme de milho e arroz, junto com ele, enquanto Chico faz a trilha

2.

Ler jornal esparramada no sol enquanto a Elis faz a trilha

3.

Lavar a louça do almoço ouvindo Chet Baker
:: Registros inúteis

1.

"O problema dessa sunga é que ela é uma sunga."

2.

"Como você fica comunista quando quer a minha ajuda, Lu. Muito comunista."

quinta-feira, agosto 13

:: Registros do cotidiano

Tem uma matéria muito tragicômica no Cotidiano de hoje. "Minha vida virou um inferno" é a manchete. Lá pelas tantas, tem a aspas do analista de sistema Marcelo Taboada bem assim: "Está mudando tudo na minha vida. Não posso mais fumar, não posso andar de fretado, não posso dirigir deopis de beber um copinho e ainda por cima o Corinthians perdendo. Só falta agora pegar a gripe suína".

quarta-feira, agosto 12

:: Cores e nomes

Ele não gostou muito de Itamar, então pensei que o gato pode também se chamar Ernesto.
:: Moleskine

- Adorei o cabelo. Você acabou de acordar?
:: Registros inúteis

Outro dia, ela disse que a sabedoria popular diz que não se pode comer porco, nem peixe com escama quando a gente está com pontos no corpo. "Porque estoura tudo, viu?"
:: Outra corrente

O Rô ouviu em algum lugar e escreveu no Facebook e eu li no Facebook e escrevi aqui. Acho que preciso de um twitter a-go-ra.

"Cara, ouvi uma frase fantástica: 42 mil pessoas no mundo com gripe suina e todo mundo quer usar máscara; 36 milhões de infectados com o vírus HIV e ninguém quer usar camisinha"
:: Corrente

Uma lê em voz alta na Redação, outra escreve no Facebook e eu, colo tudo aqui:

Definição do Aurélio para PINTA: "Pênis, principalmente de menino".

terça-feira, agosto 11

:: Cores e nomes

Me ocorreu que talvez meu gato chame Itamar, se ele for mesmo cinza, quase azul.
:: Cores e nomes

Se eu tivesse uma gata, ela chamaria Zélia, Irene ou Doralice. Mas eu quero um gato.

sexta-feira, agosto 7

:: Quando a gente não cansa

Eu vejo e vejo de novo e passo meses sem ver e vejo de novo e de novo. E canto junto. E fico impressionada com a sensilidade do Itamar Assumpção e da Alice Ruiz.

:: Repeat

Eu estou na fase das faixas 10 e 17 do disco "To Dance (a lot)":

"Sweet Words For The Sour" - Whitey

"Periodically Triple Or Double" - Yo La Tengo
:: Confissões

É, eu como as estrelas de carambola que decoram os copos de caipirinha.

quinta-feira, agosto 6

:: Tensão pré-cozinha

Faz meses que fico falando pro papai que quero preparar uma receita especial pra ele, pra gente tomar junto com o delicioso Cheval des Andes, da Terrazas, que eu trouxe lá de Mendoza e encostei no fundo do armário. Mas agora faltam dois dias pro tal do ovo e eu praticamente travei. Fui fuçar primeiro a receita do purê de cara do Alex Atala, no Escoffianas Brasileiras. Anotei lista de ingredientes e fiz um telefonema:

- Pá... Eu não vou ter como fazer o pré-preparo de uma parte da receita porque exige muito tempo e eu tenho plantão até meia-noite no sábado (se não tiver catástrofe)...

E ele ficou de deixar tudo encaminhado pra quando eu chegar, no domingo. Eba eba.

Depois, fiz a lista da farofinha que vai sobre o ovo. E eu tenho de comprar ovos caipiras, salsinha e alho. Ufa que já tenho a flor-de-sal e o azeite de trufa, senão ia falir e já gastei horrores com as pantufas personalizadas que vou dar de presente (R$ 13, em seis vezes, lembra?).

Enfim, um ou dois exercícios de respiração e Caetano no ar, acho que melhora. Espero.

quarta-feira, agosto 5

:: Profissão escrever

Eu gosto dessa coisa de envolver as pessoas com as palavras e com os perfumes da cozinha na imaginação. Na minha vida sempre tem disso. E então, nas últimas semanas, amigos queridos ligaram para dizer que se acabaram nos brigadeiros e nos suflês e eu senti minha missão mais que cumprida.
:: Vem com o vento

Vez ou outra ela escreve. Vez ou outra sou eu. Me intriga, até. A gente passa dias, semanas, meses sem se falar. Mas ela lê meu blog-de-nome-horrível religiosamente enquanto eu bato ponto no Táxi Amarelo, no Oh Darling 1, no Oh Darling 2. É como se a gente tivesse ligada de alguma forma constantemente.

E então hoje ela mandou foto da Pina, a persa dela que namorava o Fellini, o meu persa. E os dois se jogaram pela janela, uma tragédia, mas dizem que foi por amor. A gente faz que acredita pra disfarçar a dor. E às vezes até funciona.

E tem uma ligação musical, que só a gente entende, mas não sabe explicar. Aí hoje, pensando nisso tudo depois de um dia de cão no jornal e de um banho beeeem demorado, fiquei imaginando o que eu gravaria pra ela se fosse fazer um disco a-go-ra. No mínimo, "Tete A Claques", com Chiara Mastroianni & Benjamin Biolay.

Depois, poderíamos passar horas no sofá bebendo vinho e falando de NY sem parar. E sobre as histórias de amor.
:: Repeat

Axel Krygier e suas músicas do disco "Secreto y Malibú", que funciona em quase todo tipo de momento.
:: Pequenos prazeres

Hoje a gente fez troca de discos. E ela escreveu assim no CD: "Fecky -- To Dance (a lot)". Agora tudo que mais quero é ir pra casa e aumentar o volume. O que que eu faço com o meu dia?
:: Diálogos

(...)

- Mas como está a situação?
- Ah, ela se declarou pra mim.
- Mas ela não gosta do namorado?
- Gosta, mas gosta de mim também.
- Ah... Tipo um coração de mãe...

(silêncio)

- Né?

segunda-feira, agosto 3

:: Quero-quero

No fim de semana eu comi, pela primeira vez, aquele salgadinho japa: ervilhas cobertas com wasabi.
:: Sobre os animais

- Eu não gosto de gato, mas continuo sendo uma pessoa fofa, tá?

(silêncio)

- E cachorro... Cachorro lambe, pula. É a mesma coisa que uma pessoa que você mal conhece te lamber.

- Hum... A mes-ma co-i-sa.

sexta-feira, julho 31

:: Eu para os outros

"Ela é uma lady, super menininha, certinha, meiga e fofa. Ela também tem gênio forte, é mandona e muito brava. Vai com cuidado, hein. Ela pode te amar ou te odiar, não existe meio termo"
:: Moleskine

- Eu gosto de garçom simpático...

(silêncio)

- Mas garçom que dá piscadinha...
:: Moleskine

- Vamos, a gente tá muito atrasado!
- Não, Lu... Ele é músico...

quinta-feira, julho 30

:: Terapia

- Depois de todos esses anos de carreira você dá uma dessas?
- Os anos de carreira são pra aguentar as falhas.
:: Pequenos prazeres

Hoje, antes da reunião, ela me trouxe uma cereja linda. Gorda, vermelha e docinha. Como se fosse Natal.
:: Os momentos lúdicos

E então todo mundo se une num movimento de fingir que está tu-do-bem. Tudobem.
E aí, na reunião, foi a maior interação. Assim:

pessoa 1:

- Você sabe onde é o o Joy Club?

pessoa 2:

- Eu sei onde é o The Joy...

pessoa 3:

E eu sei onde é o Joy Sushi!

pessoa 4:

E eu sei Little Joy.

pessoa 5:

Ah! Eu sei Joy Division.

pessoa 1:

- Alguém sabe onde é o Joy Club?

quarta-feira, julho 29

:: O dia

Começou assim:

"Hoje está o caos controlado", ela disse. E está mesmo, só que sem o "controlado".

Depois:

"- Ai, vim falar com você porque você é contra chorar no trabalho...
- Não sou contra chorar no trabalho, desde que seja no banheiro"

Mais tarde:

Ele mandou uma música do Piazzolla com Gary Burton e o caos atéqui pareceu controlado.
:: A invenção da realidade

Água de coco no café da manhã para esquecer que hoje é mesmo um dia de hoje. No caminho, o trânsito e Whitest Boy Alive pra lembrar de Londres e quase confundir as imagens borradas pelas gotas de chuva.

terça-feira, julho 28

:: Pequenos prazeres

Estou radiante com os ovinhos caipiras que comprei no Caminho da Roça.
:: Pequenas alegrias

Depois de me levar o copo d'água na cama pela manhã, com o remédio que alivia as dores do corpo, ele me mandou, por e-mail, Aretha Franklin cantando "I Say A Little Prayer" para curar a minha dor de garganta.

segunda-feira, julho 27

"Você tem a lua em Renner e o ascendente em Zara"

sexta-feira, julho 24

:: Quando é ao vivo

Não tem chuva nem trânsito que me desanime (mentira) quando o assunto é fazer entrevista pessoalmente. Hoje fui conversar com o Raphael Despirite Durand, do Marcel, e ele me mostrou uma edição de um livro do Paul Bocuse autografado (com didicatória e tudo) que era do avô dele, me levou na horta embaixo de chuva, para eu provar jambu fresquinho até amortecer a boca, depois fez tour pela cozinha e me mostrou o polvo confit sendo preparado para o jantar...

Nem chuva, nem trânsito. Verdade.
:: Quero-quero

Fazia tempo que eu não recebia tanto e-mail elogiando uma matéria. Essa coisa dos doces tem um apelo que é difícil de acreditar - várias amigas sairam da dieta: tudo por um brigadeiro. Adoro. Dos mais lindos, tinha um assim:

"Adorei sua capa. Sabia que você me faz levantar cedo todas as sextas? Adorei a coluna. Hoje eu, P. e M. lemos no almoço pois tinha um Guia lá no restaurante que fomos. E todos pediram um brigadeiro de sobremesa!"

quinta-feira, julho 23

:: Jantar do avesso

Não entendo por que diabos eu ainda não aprendi que cozinhar à noite, em dia de semana, logo depois de um fechamento, quando você está com sono e com fome, devia ser uma coisa abolida. Ontem foi assim. Vontade de cozinhar desde cedo e até tirei a carne do congelador. E nada me tira da cabeça que eu ia sim cozinhar e não importava a hora. Por isso eu repito: burra.

O bolo de carne com sopa de cebola ficou no forno com e sem e com e sem e com e sem papel-alúminio mil vezes até eu acertar. E adivinha? Não acertei. Ficou fora do ponto, todo estranho. Justo no dia que ele ia deixar essa coisa do não às carnes pra lá, só pra provar o prato que eu mais gosto de fazer e de comer em casa.

As batatas. Aquela coisa de batata-bolinha, orgânica, recém-chegada na tal da cesta que tanto gostei. O tal instrumento de descascar batatas que ela me deu (como chama?). O alecrim, o sal grosso. E aí uma travessinha pra aproveitar o calor do forno e fazer um alho confit. E as batatinhas vão pro forno. E saem do forno duras. E voltam pra água quente com caldo de legumes. E voltam pro forno. E saem do forno - e ficam no ponto. Mas não ficam douradas, lindas, suculentas.

E a coca light da geladeira que acabou? E a cerveja que ele mais gosta que acabou?

E, depois, uma manhã do avesso. Vou ouvir Caetano e fazer dez respirações lentas antes de continuar. A vida, eu digo. Continuar a vida.
:: Manhã do avesso

Depois de uma hora na livraria, tentando achar algum livro de gastronomia sobre um tema especícifo e na-da, fui tomar café no V.Café, na Cultura do Conjunto Nacional. E saí com menos R$ 8 e alguma coisa, depois de um Nespresso e uma água com gás. Como pode? E o Nespresso (curto, por favor) veio transbordando da xícara. Transbordando tão literalmente que derrubei metade na bandejinha. Depois, uma gota ou outra na camiseta enquanto lia notícias do nosso país e de outros mais.

quarta-feira, julho 22

:: Registros inúteis

- Para, malinha. Mala Loius... Vuitton.

E eu ri. E ele continuou:

- Porque você é mala. Mas não é qual-quer mala.
:: Corrente

Um fala o outro anota e a outra (eu) copia. Assim, olha:

"Chega de vulgaridade, eu quero pornografia"

terça-feira, julho 21

:: Moleskine

"Problemas e amigos: não há vagas"
:: Almoço

Prato enorme de folhas verdes, tomate, aspargos, abobrinha grelhada e aquela coisa toda de tempero só com vinagre pra economizar calorias. Depois, um quarto de ovo cozido, com a gema levemente mole e um fio de azeite trufado.

Mas... uma polenta cremosa com rabada pode estragar tudo. Tu-do. Por isso eu disse pro moço: polenta, mas um tiquinho assim, óh [mostrando com o dedão e o indicador uma micro quantidade]. E ele: um tiquinho assim? É.

E eu saí com uma colher de café de polenta cremosa e outra de chá de rabada sem coragem de falar que, na verdade, estava exagerando no "tiquinho assim, óh".
:: Moleskine

Você é tão, tão legal, que nem precisava ser bonita, ela disse.

segunda-feira, julho 20

:: Pequenos prazeres

Um copo d'água gelada antes de sentar na parte que mais gosto do sofá, bem ao lado da janela, e cobrir os pés com a manta amarela para ler as correspondências. Antes ainda, um cheque para deixar na portaria amanhã pela manhã. Amanhã é dia de receber a cesta de orgânicos pela primeira vez e ando ansiosa com as comprinhas. Alfaces, tomatinhos, iogurtes assim e assado, frutas e legumes e afins lá do Caminho da Roça.

E então, no meio das contas, tinha uma carta dele. Ele sempre foi a favor das cartas. Das cartas escritas à mão. Um envelope maior do que o normal, também escrito à mão, como se, dentro daquilo, viesse ele. E foi mais ou menos assim. No envelope, "Mariana Blues". Mais de uma vez eu senti que o que eu mais queria era um livro dele para a minha cabeceira. E, de repente, chegou. E então, vou deitar mais calma, com a luz do abajur sobre as páginas de seu primeiro livro. As poesias e as prosas que eu li e reli tantas vezes e tive vontade de grifar.

Mais um copo d'água gelada, escova de dentes, pijama de inverno, mochila fechada e eu vou lá para o mundo dele para entender melhor o meu. Boa noite, durma bem e obrigada pelo presente. Antes de adormecer, vou apoiar suas páginas ao lado dos livros de Clarice, que insisto em deixar bem próximos ao travesseiro da esquerda.
:: Sobre os planos

Hoje eu ganhei um guia da Turquia. Agora eu só preciso de férias e de dinheiro.
:: Das histórias musicais

A primeira vez que eu ouvi Yael Naim, se não me engano, foi num dia de manhã, quando fui visitar uma nova chocolateria ali na Vila Nova Conceição, com um cacaueiro no jardim, chás chineses para beber, estante de livros de doces e afins, que me deixou entretida até eu perder a hora.

Depois ele me gravou o disco inteiro. E eu ouço com ele e sem ele e, ainda hoje, lembro daquela manhã. Aquela manhã de uma época em que eu já pensava nele, vez ou outra, pelas manhãs.

Hoje, tour de docerias para além do meio da tarde e, no carro, Yael Naim no repeat("Paris", "Too Long" e "New Soul") e as memórias das histórias e dos amores musicais e quase o esquecimento dessa coisa de hoje ser segunda-feira...

sábado, julho 18

:: Registros inúteis

Ele acabou de voltar de viagem e disse que na passagem por Punta ele se sentiu numa mistura de Guarujá, com Campos do Jordão e Dubai. Já pensou?

sexta-feira, julho 17

:: O gosto dos outros

Desde que a gente começou a se falar, ele contou dos livros, fez poemas e contos lindos e mandou discos gravados especialmente pra mim. Não é a primeira e nem será a última vez que eu digo, sabe, ele é mesmo uma das pessoas mais sensíveis que eu já vi. E então, outro dia pela manhã, li um e-mail que me mandou e o dia ficou até estranho. Olha:

"(...)A mim me tinha cabido o prémio do Ministério. Eu tinha sido o
melhor professor rural. E o prémio era visitar a grande cidade.
Quando, em casa, anunciei a boa nova, a minha mais-velha não se
impressionou com meu orgulho: E franziu a voz:
- E lá, quem lhe faz o prato?
- Um cozinheiro.
- Como se chama esse cozinheiro?
Ri, sem palavra. Mas, para ela, não havia riso, nem motivo. Cozinhar é
o mais privado e arriscado acto. No alimento se coloca ternura ou
ódio. Na panela se verte tempero ou veneno. Quem assegura a pureza da
peneira e do pilão? Como podia eu deixar essa tarefa, tão íntima,
ficar em mão anônima? Nem pensar, nunca tal se viu, sujeitar-se a um
cozinhador de que nem o rosto se conhece.
- Cozinhar não é serviço, meu neto - disse ela. - Cozinhar é um modo
de amar os outros."

(Mia Couto em "Os Fios das Misangas")

quinta-feira, julho 16

:: Outra do telefone

E a assessora disse que estava com muita saudade de mim no Guia e foi assim:

- Com você as coisas fluem numa velocidade fluida.

E, ela sabe, apesar de to-dos os pesares, eu a-m-e-i.

quarta-feira, julho 15

:: No telefone

- Aí tem brigadeiro?
- Não, só temos trufas e bomboiins.
:: Repeat

Dia de chuva é bom para ouvir "Undiú", com o João Gilberto, no repeat.
:: Das piadas internas (e externas)

- E ela é bem simpática.

Silêncio

- Assim (...) simpática no limite do argentino.


***

- Ela não é nenhuma Brastemp.

Silêncio

- Na verdade, ela é assim (...) tipo um Dako.


***

- E eu que fui soletrar nosso sobrenome outro dia e disse 'F de Felipe' e a conta veio para L. Secarotta Felipe?

- E eu que era chamada de Fê, pela assessora? Ah, claro, né bem, Fernanda Carotta.
:: Para repetir

Ir na casa dela é sempre, sempre bom. Mas não é só. É quase um presente. Mas não é só. Ela sabe, é minha segunda casa. E então depois de quebrar a cabeça porque não consigo sair cedo do jornal e ponto, resolvemos comer lá mesmo e pular o restaurante. E é como se o cansaço dela, que acorda sempre tão cedinho, quase passasse. Ela vai ao supermercado e faz comprinhas para dois menus diferentes - quer ter certeza do que eu quero e me liga vez ou outra para fazer perguntas, sem deixar eu descobrir qual prato exatamente ela pensa em preparar. Desta vez, comprou um vasinho de minimanjericão porque não achou fresco naquelas gôndolas refrigeradas, por onde eu gosto de passar rápido no inverno, e, já em casa, colocou num vasinho vermelho sobre a janela e ficou lindo de ver.

A gente ouviu Billie Holiday e Nina Simone, como de costume nos dias mais frios. Enquanto eu cortava a pimenta-malagueta em pedacinhos micros até desaparecer, ela dourava a cebola que eu tinha deixado prontinha em rodelas. Ela tem uma frigideira grande e bonita, que gosta de usar sempre. E, quando está mais animada, faz um jogo de cores para escolher as colheres da frigideira e daquela panela que está com água quase fervendo. Depois, escondeu, mas jogou um pouquinho de açúcar para caramelizar levemente a cebola - ela sempre diz, Lu, um pouquinho de açúcar nisso e naquilo. Lu, não esquece do açúcar para quebrar o ácido do tomate. Mas ela, quando coloca, não costuma contar, quase como se estivesse brincando de fazer segredo.

Cortei a linguiça-calabresa em rodelinhas para meninas, com toda a delicadeza. Enquanto isso, ela jogou sal na água e logo depois jogou o orecchiette, aquela massa que tem no Pasquale e eu adoro, que parece uma conchinha. E então resolvi trocar de faca e rimos depois que eu abri aquela primeira gaveta. Temos todas as facas iguais e achamos graça.

Mudamos de casa, cada uma para a sua, no mesmo ano e papai enchia a gente de presente para a cozinha - além dos aparadores de panela coloridos e da toalha de mesa que trouxe de viagem. Quando a gente era pequena, tinha essa coisa de ganhar presente igual. Mas papai e mamãe sempre insistiram em fazer a coisa diferente, até a gente aprender que cada uma tem uma personalidade e aquela história toda. Porque, verdade, as coisas às vezes se misturavam. Depois de velhas (god), voltamos a ganhar presentes iguais e eu adoro. Temos a mesma panela de macarrão, grande e toda pomposa, para receber visitas, temos o mesmo porta-colheres-e-afins da Le Creuset vermelho, que fica sobre a bancada ao lado do fogão. Mas a bancada dela é preta - e chiquérima - e a minha é branca.

Massa al dente e ela jogou o tomate pelado na frigideira e misturou tudo lentamente. E então sentamos, nos servimos de vinho, brindamos porque sempre temos que comemorar. A gente sabe. E o jantar foi como de costume: assuntos periféricos, revelações, análises, segredos. Cada vez é mais assim, uma coisa que não acaba e não para de crescer. E, diante disso, eu sei, a gente até fica brega.
:: Registros inúteis (da rotina)

Eram 6h15 e eu já tinha acordado e feito as funções básicas do amanhecer. Eram 6h30 e eu já tinha comido uma banana e lavado uma maçã-verde para comer no caminho. Eram 7h e eu já estava na academia e, depois, às 8h, eu já tinha feito aula de bike e me acabado de suar (eca eca). Eram 8h15 e eu até já tinha ficado na fila para tomar banho (atenção, fi-la pa-ra to-mar ba-nho) e tido a desagradável vivência de ficar por alguns minutos atrás de uma "menina" (tá, uma jovem senhora) nua em plena fila - ou quase nua, mas pior, na verdade: ela estava de calcinha fio-dental, god. E eu ali atrás, god. Eram 8h10 e eu já tinha visto peito siliconado de outra que estava uma a frente, que segurava a toalha somente até o umbigo - e eu pensava: por quê, por quê? E umas três ou quatro estavam na fila (atenção, fi-la pa-ra to-mar ba-nho) descalças, sem havaianas - ou uma rider que seja, né bem - e sem o tal do plastiquinho que eu me sujeitei a usar na ausência de uma alternativa melhor um dia desses. E aquele chão de cabelo e pés malcheirosos e aquela gente des-cal-ça! Eram 9h e eu já tinha tomado banho, ouvido uma música do disco do Gil de 71, que ele canta em inglês e eu adoro, uma música do Whitest Boy Alive, e a primeira faixa do disco que ele gravou pra mim, que gosto de ouvir pelas manhãs. Eram 9h e eu também já tinha ido ao meu nutricionista, manobrado o automóvel, passado frio e o caramba. E agora, 9h40, eu já reguei meu pé de café e as minhas minilaranjinhas, eu já troquei de roupa de novo, porque errei feio no casaco, e vim aqui escrever esse monte de idicotices porque a minha cabeça não para. São 9h40 e eu já recebi um e-mail adorável e já fiz uma lista de afazeres do dia.

segunda-feira, julho 13

:: Registros inúteis

Almoço da firma às segundas é sempre idiota. Hoje ele disse que precisa de mais dedos, além dos das mãos e dos pés, pra contar há quanto tempo foi sua última vez.
:: Pílulas

Ele disse assim, por escrito:

"só o fato de almoçarmos juntos, anywhere, já é uma dávidadosdeuses. anywhere."
:: Além-mar

Hoje ela mandou notícias por e-mail contando que nadou no mar morto e eu fiquei contando as horas para chegar sexta, quando vou me esparramar naquela sofá com almofadas de todas as cores e tamanhos e estampas, para beber coca light com gelo e ouvir os detalhes das histórias que ela sempre tem pra contar.
:: Segundas

Segunda tem sido dia de saudade e preguiça. Mas hoje cheguei na Redação e tinha sobre a minha mesa uma minigeleia de alfazema de presente. E então o fim de semana que vem ficou mais próximo, com as ideias de receitas, a preguiça quase passou e a saudade nem doeu tanto assim.

sábado, julho 11

:: Das relações antigas

- Que coincidência, mã.
- Não é coincidência, filhota, é sintonia.

sexta-feira, julho 10

:: Pequenos prazeres

Acabar o jantar com a amiga do coração com um chá natural de campim-santo, encontrar com ele em seguida pra ir pro Jazz Nos Fundos, e, lá, mais dele com jazz com Black Label na pro-mo-ção.

quarta-feira, julho 8

:: Das noites e das manhãs

Ontem eu fugi do jornal porque às vezes, dentro da gente, não dá. E ela disse que eu devia sair mais cedo mesmo e que deveria ir pra aula de bike e fazer todo o esforço possível até esquecer do resto. E foi mais ou menos assim. Depois abdominal, para não rir por uma semana, só por escrito. E um banho demorado com todas as frescuras que tenho direito - e adoro - ouvindo João Gilberto para acalmar. E uma noite dos deuses para uma manhã dos deuses, ufa.

Eu estava mesmo precisando de uma manhã assim. Com sol e um pouco de frio, com tempo pro suco de laranja, para o jornal, para pentear o cabelo devagar, para os afazeres matinais. Depois veio as burocracias da farmácia, mas eu sempre gosto. Sou uma louca consumista em qualquer tipo de farmácia, god. E ainda deu tempo de passar numa loja pra tentar achar um casaquinho preto e umas blusinhas. E nada de casaquinho preto e blusinhas, mas saí com um vestido preto novo - a única coisa que, definitivamente, eu não precisava. Mas eu tenho dessa coisa de não resistir, às vezes.

No caminho pro jornal, fui ouvindo o último disco que ele gravou. Ele sempre surpreende. Dessa vez acertou nos sambinhas mais gostosos. Tem o Baden dele e a minha Bethânia. Tem o nosso Noel Rosa e o Adorinan de todo mundo. Tem Tom Zé e Caetano, que a gente sempre repete. Tem Luiz Melodia e Gil e as mulheres superpoderosas. Elis, Elizeth. E, no repeat, Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano, com "Fiz a Cama na Varanda", que eu sabia, desde o primeiro acorde, que ia ser coisa de repeat mesmo. Lá está. E eu gosto cada vez mais, com tudo que vem junto.

terça-feira, julho 7

:: Mini-irritações

Hoje eu deixei de fazer algumas frescurinhas matinais só para incrementar a sacola térmica com os quitutes da tarde. Frutinhas e damascos, um capricho. Aí saí correndo, como costuma ser - e eu odeio infinito - e deixei a sacola sobre a bancada da cozinha, bem na mira daqueles raios de sol. Eu tento explicar, é por isso que quero voltar pra casa mais cedo hoje.
:: Amores musicais

Ele acorda pela manhã e diz, ai, que vontade de ouvir "Baioque". E então dá um ou dois passos até o som e coloca Bethânia para cantar só pra gente.
:: Os amigos para conversar

Eu sempre gosto de conversar com ele, tem uma coisa meio David Lynch, que às vezes me deixa angustiada e às vezes me ajuda a tirar os pés do chão - coisa que preciso fazer de tempos em tempos pra dar conta da vida. Hoje foi mais ou menos assim: "então, agora eu tô no controle. no controle mesmo. só pra vc sentir como eu tô por dentro, tá rolando uma faxina aqui. mas eu acordei, vesti uma camisa lacoste, passei perfume e o cacete. eu tô vivendo um sonho. e tá apenas começando".
:: Quero-quero

Ir no Beth Cozinha de Estar para comer picadinho de filé-mignon e purê de batata.

segunda-feira, julho 6

:: Pausa pro café

Ele quer porque quer ir pra Londres. Pesquisou preços de passagens e tudo. E então, o cara da agência de viagem retornou hoje, por e-mail, bem assim: o voo tal custa tanto com scala em amisterdã.

Por isso ele ficou meio em dúvida, né. Porque essa coisa de voo com scala em amisterdã é meio complicada.
:: Dos dizeres

Aos poucos, muito aos poucos, a gente aprende que algumas coisas a gente deve guardar e outras a gente deve deixar passar. Outro dia, ela me chamou e disse algo que guardei. Você, que é uma pessoa que procura a palavra certa para o lugar certo, deve ouvir isso aqui. E começou a ler em francês o prefácio de um dicionário que dizia que devemos buscar precisão, elegância e diversidade nas palavras. Eu pedi tradução e aquilo tudo fez muito sentido.

sexta-feira, julho 3

:: Click

Ai, essa turma da Galeria Experiência, viu?



Tem mais aqui: http://www.galeriaexperiencia.com.br
:: Quereres

Esse dia de chuva me deixou com saudade do Supra, um restaurante italiano que foi demolido para dar espaço a um prédio - céus! No Supra tinha essa coisa do aconchego, um serviço impecável (que eu adoro), banquinhos pequetuchos pra deixar a bolsa embaixo da mesa e um cardápio que eu nem sei explicar.

Primeiro aquelas polentas todas que aprendi a gostar - e tanto. Polenta com minilulas grelhadas salpicadas com bottarga dourada de tainha e tomates frescos; polenta com cogumelos salteados na manteiga (porcini seco, shiitake, shimeji e prataiolo); polenta com linguiça caseira, feita ali mesmo, ao molho de tomates frescos e legumes. Pode? Não pode?

Depois vinham as massas artesanais, preparadas ali naquela bela cozinha aberta. Massas frescas cilindradas, cortadas e recheadas somente depois de nós, clientes, fazermos o pedido. Sente? E, depois, o garçom ainda leva a massa escolhida à mesa, antes de ser finalizada na água. Uma coisa. Uma delicadeza.

E mais. Tinha um cardápio de queijos - e eu sou louca, lou-ca por queijos de todas as espécies. Troco qualquer chocolate, qualquer sorvete, qualquer bolo por queijo. Mas, complicado, sabe. Muito coisa de gordinho comer queijo além de polenta na entrada, massa como prato principal. God. Mas, sabe, dá pra resistir?

Olha só: brie (e eles explicam assim: queijo francês de massa mole de leite bovino servido com nozes); castelmagno ("conhecido como o 'rei' dos queijos italianos, é produzido em Cuneo, Piemonte - de massa dura de leite bovino, acrescido de pequena quantidade de caprino e ovino, média maturação elaborada em grutas naturais da região, sabor picante e perfumado, servido com mosto de uva toscano cozido e tartufado"); gorgonzola DOC "de massa mole de leite bovino, média maturação, sabor doce e muito aromático, servido com geléia de pimentas vermelhas"; parmigiano reggiano ("queijo de massa dura de leite bovino e maturação longa, servido com damascos secos"); pecorino sardo ("queijo de massa dura de leite de ovelha e maturação média, servido com mostarda de Cremona e pimenta-biquinho") e taleggio ("de massa mole de leite bovino, maturação média, sabor delicado e doce e ligeiramente aromático, servido com mostarda de Cremona e uvas Moscatel").

E, nesse último jantar, me lembro que fiquei encantada com essa coisa das descrições só pensando em chegar em casa e fuçar fuçar e fuçar tudo no meu livro de queijos que eu adoro. Minha última vez foi de não esquecer. Mas aí tem essa coisa da saudade e, quem sabe, sabe, eu não gosto muito dessa coisa de sentir saudade...
:: O jeito dele

Antes de dormir, ele diz por telefone que tem um casarão mas tudo que queria era uma minicasa.

quinta-feira, julho 2

:: As discussões dos homens e das mulheres

- Por que diabos os homens nunca, nun-ca estão prontos na hora?
- Mas isso é coisa de mulher e de gay, Lu.
- Não. Isso é coisa de homem.

E incluímos outras pessoas na conversa e eu, enfim, venci. A conclusão foi assim:

Mulheres demoram para se arrumar mas sempre estão prontas na hora certa.
Homens se arrumam rápido, mas nunca estão prontos na hora certa. Nunca.

Não é ou não é?
:: Outra

Ele mandou "Nine Out Of Ten", do Caetano, e disse: "...porque você é one in a billion"
:: Das declarações

Hoje ele disse: Lu, você é uma pessoa que a gente nunca esquece.
(eu achando lindo)
E ele: ... não esquece, pro resto da vida.
(e eu achando lindo)
E ele: para o bem e para o MAL.

quarta-feira, julho 1

:: Sempre ele

No ano passado fizemos um almoço delicioso de Dia dos Pais. Cozinhamos em família. Tem texto antigo aqui. Na casa dele tem janelas por todos os lados, plantinhas no jardim e as trilhas sonoras ideais. E estamos combinando há semanas um almoço no sábado, com ovinhos caipira que vou preparar com a receita da Jan que eu já contei aqui uma vez. Não tenho certeza se vai dar certo ou não (e, confesso, acho que não), mas vou tentar uma, duas, três vezes fazer o tal do choque térmico sem quebrar ou estragar os ovos, antes de desistir.

Enquanto nosso almoço não sai, e parece que terá de esperar julho todo ainda, a gente vai falando por telefone sempre, se vê uma vez ou outra no jantar e troca e-mails e mais e-mails sempre que dá. Ele me manda matérias interessantes que lê e lembra de mim e encaminha e-mails que amigos que me elogiam quando leem as matérias do jornal. Amigos dos pais têm dessas coisas, a gente sabe.

Hoje ele apenas encaminhou um e-mail e fez meu dia bem melhor - esse dia que mal começou e já está um pouco penoso, verdade. "Especial Dia dos Pais" dizia o assunto. E lá dentro uma propaganda de "pantufas e cia.", com uma tabela de preços especial para datas comemorativas.

E então um texto muito incrível (e isso inclui os erros de concordância e afins) assim:

"O Dia dos pais está chegando e nada melhor que planejar com antecedência e segurança. Pensando nisso nós da Pantufas & Cia apresentamos a vocês, que sempre focam a inovação e qualidade, uma coleção de pantufas e chinelo personalizados que, com certeza, surpreenderão a todos.
Atuamos á 35 anos na produção de chinelos e pantufas para os mais diversos segmentos do mercado: rede de hotelarias, motelaria, escolas, clinicas, hospitais e grandes lojas de departamento."

E então uma tabela de preços com as pantufas personalizadas. Podemos escolher o seguinte pra bordar: "Super Pai", "Papai eu Te Amo" e "Papai você é 10!". Todas elas custam o mesmo: R$ 13. Melhor (m-u-i-t-o-m-e-l-h-o-r): podemos dividir em até seis vezes ou pagar com 10% à vista - o que pra minha atual condição financeira foi um alívio.

terça-feira, junho 30

:: Das ressacas



Às vezes eu fico tentando entender alguns sentimentos e é quase uma coisa besta - tudo, na verdade, é meio óbvio. Mas não consigo evitar, hoje é um dia de ressaca. E é como se, ao mesmo tempo, fosse um dia de digestão.

quinta-feira, junho 25

:: Pílulas

E agora que ela escreveu lá de Paris só pra dizer "me afogo de tanto orgulho"? da m-i-n-h-a p-r-ó-p-r-i-a p-e-s-s-o-a e fez dessa quinta chuvosa um dia muito melhor?
:: Fora da ordem

Depois de reconstruir toda a rotina - e aprender a gostar de quase tudo - as coisas voltaram aos velhos tempos. Mas, como ela diz, as coisas nunca voltam da mesma forma depois que você mudou.

E mal voltei à rotina, tratei de mudar a rotina de novo. Não com uma nova rotina, como foi há dois, três meses. Estou falando de pequenas coisas. Sabe aquele poema "Mude", que diz coisas como "quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho" ou "abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda"? É mais ou menos isso. Os pequenos gestos.

Então venci a preguiça matinal dos dias chuvosos, fui à terapia, fui à manicure e fiz o serviço completo: depilação, mão, pé, uma beleza. Depois ia ter almoço na firma, aquela coisa zero glamour. Por isso a gente mudou os planos e foi almoçar na casa dela. Nós três.

Antes de colocar os raviólis na água quente, ela me fez provar um cru. Ela tem essa coisa meio criança de comer cru e eu idem, confesso. Depois colocou Louis Armstrong bem alto e cantou junto enquanto esquentava o molho. Eu arrumei a mesa e acertei até a gaveta dos talheres. E então sentamos, almoçamos-delícia, conversamos com risada, escovamos os dentes pela casa, tiramos foto com os gatos (sempre, sempre tiro foto com os gatos), listamos os próximos discos que temos de gravar umas pras outras.

E depois, que venha a rotina. Não é ou não é?

quarta-feira, junho 24

:: No almoço

- Que academia você faz?
- Bio Ritmo do Conjunto Nacional.
- Nossa. Eu tive que escolher: ou eu como ou eu faço academia.
- É. Eu preferi a academia.
:: Ele disse

"Fiz por muito tempo uma busca rápida"
:: Registros inúteis

Quando fico muito tempo sem escrever aqui ou estou escrevendo ali, na ala secreta, ou estou com muito assunto e travada ou estou sem tempo. Falta de assunto, nun-ca, ja-mais. Rá! Sempre aparece alguma coisa idiota.

***

Hoje eu não resisti. Ai, os micos da acadimia. Teve uma vez que fui fazer a tal da avaliação médica e o diálogo com a cidadã foi assim:

- Você está de top?
- Estou.
- Então tira a blusa?

Silêncio mortal enquanto eu tirava a blusa.

- Agora sobe aqui? [apontando a esteira, ATENÇÃO!]

Silêncio mortal enquanto eu subia.

- Agora vou colar esses eletrodos aqui.
- Ai, eu tenho alergia. Precisa mesmo?
- Precisa mesmo...

Silêncio mortal enquanto ela colava as porras dos eletrodos no meu abdomI.

- Isso, agora começa a andar devagar. Eu vou aumentar a velocidade aos poucos até você correr.
- Céus, você é mesmo médica? Mes-mo? [Enquanto eu pensava "tem certeza que terei de correr na frente de um ser humano me observando em detalhes de TOP"?]

Enfim, geNE, eu corri de top na frente dela e quis morrer M-O-R-R-E-R! RÁ
E-u-c-o-r-r-i-d-e-T-O-P!

***

Depois teve o dia das não-havaianas. É, eu esqueci as havaianas em casa e, depois disso, vou comprar havaianas pra deixar dentro da mochila e nunca mais tirar. Porque, pensa, tomar banho naquele banheiro de acadimia descalça? Nunca, jamais. Lá fui eu pegar dois saquinhos plásticos e coloquei um em cada pé, pagando o maior mico enquanto Ana Maria Braga falava sem parar com aquele bicho insuportável, aos berros. God! E eu andando de saquinhos nos pés pra ir até o box e depois pra voltar. E, atenção, a volta é bem mais traumática porque tem de andar a zero por hora, porque os saquinhos estão molhados, ensopados e você pode escorregar a qualquer momento. E sempre, sempre sobra pra gordinha. Uma lou-cu-ra. Mais que isso: você vai andando a zero por hora, chama muita atenção e vai molhando (muito) o banheiro que a fulana acabou de secar. E aí você quer morrer de vergonha. Mas, tu-do, menos andar descalça naquele banheiro.

sexta-feira, junho 19

:: Adoro

Lu, olha o dialogo entre Carlos e Alice:

Ca - vovó e vovô chegam semana que vem!
Alice: vovó! vovô!
Ca: é, eles vão ficar aqui com a gente, vai ser muito legal, não é?
Alice: não é!

Hah, lembrei muito de você!
:: Registros da madrugada

Ontem à noite foi noite de desabafo com choro e tudo - mas acho que foi só uma onda de cansaço e TPM. E passou. Papai me ouviu até o fim, entre uma respiração curta e outra, e esquentou uma canja. Eu disse não pra canja e ele disse sim. E eu comi. E ele tinha mesmo razão. Costuma ser assim. Me serviu uma taça de Terrazas Malbec 2006 e tudo parecia bem menos pior. Tem sido assim. Tudo na vida tem sido bem menos pior. Depois passou. Tirei tudo de dentro de mim e passou.

Depois fui embora e ele veio me ver. E eu disse baixinho que foi o meu melhor inferno astral dos últimos tempos. Mais que isso. Foi a minha melhor manhã de aniversário dos últimos tempos e não importa os parabéns. Não importa. Então ele me gravou músicas novas (e ele sempre acerta) e enrolou o máximo que pode. E agora estou ouvindo CocoRosie abraçada no travasseiro de fronha branca.

Depois o telefone tocou um monte e recados e e-mails e afins. Era como se eu estivesse cercada nesse aniversário. Cercada com o que há de melhor. Mari me levou para almoçar no Antiquarius e eu comi uma tigelinha de bacalhau desfiado, com cenourinha ralada até desaparecer, cebola e creme de leite, tudo batidinho e gratinado no forno até formar aquela casquinha que dá vontade de repetir. Depois teve bacalhau à Bras, desfiadinho, com batata palha, azeitonas pretas, daquele jeitinho que é o meu predileto. E nós duas sentamos do mesmo lado do sofá e conversamos tudo o que nos devíamos há dias. E brindamos o meu aniversário - mas eu estava brindando a nossa amizade.

No jornal foi assim: teve girassol sobre a mesa com recadinho com desenho coletivo e tudo - uma beleza, de fazer rir. Teve um bonsai de laranjinhas que eu caí pra trás, lindo, lindo. Teve flores que eu nem sabia o nome - e agora reinam na minha sala. Ela me ensinou assim: bambu da sorte e alguma coisa imperial. O que era mesmo? Ai. O que era mesmo, céus!? Um, dois, três e-mails. Quatro, cinco, seis e mais. Depois mais um, dois, três telefonemas. Tantas ligações e eu nem parecia tão ocupada. Mas não importa. Essa parte de estar ocupada não importa.

Cheguei há pouco. E está um silêncio na rua que até me assusta um pouco. Mas coloquei play e, devagar, abri minhas flores, reguei meu pé de café, organizei os vasinhos novos na varanda, naquela faixa que bate um pouquinho de sol, e arrumei o vaso do centro da mesa, mas ainda não sei se vou mesmo deixar ali. Depois teve pijama, escova de dentes, Devendra, CocoRosie, travesseiro de fronha branca do lado direito. E travesseiro de fronha branca do lado direito. E travesseiro de fronha branca do lado direito...

quarta-feira, junho 17

:: Troca-troca


E tem momentos que a gente escreve um monte de coisa e esconde tudo. Quase tudo porque, ainda assim, sobra espaço pra esse monte de bobagem que eu registro aqui. Dessa vez, vou me aproveitar da criatividade alheia - me aproveito mesmo, eu diria pra ela.

Tudo isso porque Mari BZ escreve tão bem que sempre que bate qualquer coisa estranha no humor eu corro no “pequeno guia prático para mães sem prática” e tudo parece melhor. Hoje foi assim. Eu sem tempo pra nada, me forcei a uma rápida pausa entre uma tarefa e outra e fui lá. Aí tinha o texto das intimidades e eu rolei de rir. Tem o link dele na íntegra aqui. Mas só pra dar uma ideia:

“...sei la. Acho péssimo. Já perereca é muito comprido e um pouco zombateiro, quase ofensivo (há uma distância enorme entre pinto e perereca, em termos de fauna. Por que os homem ganham um paralelo com uma ave fofinha e felpuda, e as mulheres com um anfíbio nojento e sem carisma? Não faz sentido.)”

terça-feira, junho 16

:: Pequenos prazeres

No meio da tarde, ele manda e-mail com “Jeitinho Dela”, do Tom Zé, pra eu ouvir e pensar que nem tudo está tão ruim assim nessa maratona de madrugadas e fins de semana no jornal. “E a letra me lembra você”, ele diz. Eu quase não aguento.
:: Das bobagens internas

- Olha esse nó [mostrando o cabelo pra ele]. Você vai ter que me ajudar a pentar antes do banho. Olha, olha!
- Mas Luuu, você não é uma barbie e eu não sou uma menina.
- Mas vai ter que me ajudar, olha.
- Não, Lu. Antes eu tenho que falar com o meu terapeuta.
:: Registros inúteis

Depois de uma dobradinha de casamentos no sábado (manhã + tarde / fim da tarde + noite), depois de mais espumantes do que a média, depois de dançar quadrilha num trio, ele disse "acho que PUC" e eu fiquei com cara de quê?. Acho que Pintou Um Clima, Lu...
:: Quando canto junto

"Quando a gente tá contente
Gente é gente (gato é gato!)
Barata pode ser um barato total"

segunda-feira, junho 15

:: Encontros e desencontros

Semana de aniversário mais semana de fechamento mais semana de TPM nunca, nunca deviam coincidir.

sexta-feira, junho 12

:: Pequenos prazeres

Depois de uma manhã de preguiça, que é segredo de Estado, ele sabe, vim para o jornal com um pouco de frio nas pernas, verdade. Inventei essa coisa de ver o Caetano de vestido e mesmo a meia-calça fio oitenta não dá conta. No fundo, eu sabia.

Depois fiquei desatenta nos primeiros momentos de trabalho e parei pra ouvir mais uma vez a música que ele me mandou outro dia, "A Ribbon", do Devendra. Tem sido assim, um pouco de Devendra, um pouco de Django, um pouco de Caetano e a lista "climinha", que é a nossa predileta e apesar de sempre igual, sempre surpreende.

Mamãe me trouxe de Londres, já faz um tempo, um ímã de geladeira que diz, numa bolinha verde, "just breath". A Li costuma dizer pra eu respirar beeem fundo quando estou agitada e eu fiz exatamente assim. Depois passou. E quando o trabalho fluia como nunca, ao lado das poucas pessoas que vieram pra cá nesta sexta de frio e chuva, a chefe trouxe chocolate quente pra todos, com três bolinhos: formigueiro, baunilha e laranja.

quinta-feira, junho 11

:: Feriado trabalhado

Enfim eu aprendi a não sofrer de trabalhar nos feriados. Mais que isso, eu aprendi a gostar. A gente acorda naquele silêncio absoluto, com calma (porque no dia anterior a coisa foi até alta madrugada no jornal). Toma água-de-coco porque vai pular o café da manhã já pensando no almoço. Coloca uma música matinal, um pouco de Django, um pouco de Caetano, um pouco de Nina. Arruma as coisas devagar, o vestido que ficou pra fora do armário, a escova de dente caída sobre a bancada do banheiro, o pé de meia que ficou esquecido ali no varal. Rega o pé de café, abre as cortinas pro sol que vai e vem. Toma banho bem demorado e aproveita pra usar aqueles cremes todos que a gente nunca tem tempo de usar numa semana normal.

A gente pula a academia para ganhar tempo em casa e nem sente culpa porque é feriado. A gente pode sair mais tarde porque não tem trânsito. A gente consegue até administrar as ansiedades. Porque é mais ou menos assim, ando mesmo ansiosa com essa coisa do show do Caetano estar cada dia mais perto.

Depois dá pra improvisar um almocinho rápido e usar as panelas que a gente mais gosta. Os pratos que a gente mais gosta. Os copos que a gente mais gosta. Mesmo com o armário meio vazio (céus), a gente inventa alguma coisa qualquer pra comer. Hoje voltei à infância e fiz um macarrãozinho cabelo-de-anjo com ovo. E o ovo de casa acabou, mas tenho tempo de administrar as ansiedades, então devo ir no mercado mais tarde.

Hoje já deu tempo de queimar o dedo na panela quente e até sentir dor, já deu tempo de cutucar a cutícula do mindinho, já deu tempo de organizar a gaveta de calcinhas. Hoje já deu tempo de gravar disco novo, com Devendra, Caetano, Chico, Comadre Fulôzinha, Django, Cazuza e Bebel, Emiliana Torrini, Hot Chip... Bem no clima interno da gente.

E então vim pro jornal. E o telefone não toca. As pessoas falam mais baixo do que o normal e ficam mais caladas do que o normal também. É quase um presente pré-aniversário. Meu trabalho rende mais, bem mais, e até posso me dar ao luxo de uma pequena pausa pra um texto ou outro dos registros pessoais. É mais ou menos assim.